A malta das trincheiras: Migalhas da Grande Guerra 1917-1918

A malta das trincheiras: Migalhas da Grande Guerra 1917-1918
BRUN, André

Guimarães & C.ª – Editôres, 1919, 1.ª ed., 236-[2] pp.,
in-4.º, br. exemplar com restauro nas capas,
Preço: € 25,00

A década de 1910 e os anos da Grande Guerra vêem surgir dois movimentos seminais nas letras portuguesas, a Renascença Portuguesa e o Modernismo.

Fundada no Porto, a revista A Águia torna-se a partir de 1912 o orgão da Renascença e do Saudosismo poético, inspirado nas ideias de Teixeira de Pascoaes em torno de um “sentimento-ideia” de renascimento da alma nacional, a Saudade. No trabalho metafórico de Pascoaes, Jaime Cortesão ou Mário Beirão, Fernando Pessoa, colaborador inicial da revista, viu nascer uma nova poesia portuguesa. A questão da identidade e do progresso nacional ocupou parte considerável das suas páginas, sintetizada na célebre polémica entre Pascoaes e António Sérgio, e dá o mote ao número triplo que a revista dedicou em Abril-Junho de 1916 à entrada do país na Grande Guerra, apoiada activamente pelo grupo, com destaque para textos programáticos de Pascoaes, Raul Proença e Leonardo Coimbra. No ano seguinte, Cortesão e Casimiro (o “poeta-soldado”) seguiriam para a frente portuguesa no norte de França.

Por outro lado, em 1915 saem em Lisboa os dois números de Orpheu, revista emblemática do Modernismo português, onde Pessoa, Mário de Sá-Carneiro ou José de Almada Negreiros propunham uma poética que dialogava com recentes vanguardas europeias como o decadentismo e o futurismo. O escândalo que provocou na época iniciou a afirmação polémica dos escritores na arena pública, radicalizada no número único de Portugal Futurista em 1917 (apreendido pelas autoridades), onde se distinguiam posições contraditórias em relação à guerra: desde o claro intervencionismo de Almada Negreiros no Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX, até ao niilismo do Ultimatum de Álvaro de Campos (Pessoa), que declarava a Grande Guerra a “falência geral” do Ocidente.

No imediato pós-guerra, o combate cívico da Renascença Portuguesa concretizou-se numa série de publicações de memórias de combatentes – que em 1920 já totalizavam 14 títulos. Para além de importantes testemunhos militares como Gomes da Costa ou de prisioneiros na Alemanha como Alexandre Malheiro, publicaram-se obras que atingiram notável qualidade literária, da autoria de Jaime Cortesão (Memórias da Grande Guerra), Augusto Casimiro (Nas trincheiras da Flandres e Calvários da Flandres), André Brun (A Malta das Trincheiras) ou João Pina de Morais (Ao Parapeito), esta última traduzida para língua francesa em 1930.

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